13/09/2017

Os adoráveis mangás yaoi de Natsume Isaku

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Olá pessoal!

Eu sou nova na leitura de mangás yaoi, a demografia feita para o público feminino em que os personagens homens se relacionam com outros homens. Acredito que o gosto pelas romances entre homens veio depois de muitas frustrações com os romances heterossexuais que os mangás shoujo proporcionam. Não é como se não houvesse nenhum bom romance neles, eles existem, é claro. Mas sinto como se já tivesse lidos todos os bons (o que com certeza não é verdade, aceito indicações!).

Enfim, entre as indicações que recebi no gênero, acabei conhecendo a mangaká Natsume Isaku. A autora, assim como muitas do gênero, iniciou sua carreira no início nos anos 2000 escrevendo doujinshis (termo utilizado para obras publicadas por amadores no Japão) com romances yaoi baseados em mangás famosos, como One Piece e Naruto. Em 2005, ela lança seu primeiro mangá original, chamado No Color.

O primeiro mangá que li dela foi Kiraboshi Dial (2009) e, até agora, é meu preferido, seguido de bem perto por Tight Rope (2008). O que todos os mangás que li dela tem em comum é que costumam ser curtos, com um volume, e contendo romances muito, mas muito, fofos. É claro que ela sabe colocar sensualidade em  seus personagens quando necessário, mas ela é muito mais fofa do que em outros mangás do gênero.

Além disso, as personagens de Natsume Isaku são, normalmente, hétero, porém o amor pelo amigo/doutor/vizinho faz com que o gênero não importe. Seus romances são doces, porém marcados por inseguranças, segredos do passado ou formas muito restritas de ver o mundo. É recorrente que um dos personagens, normalmente o seme (o ativo), seja parte de alguma máfia, como a Yakusa.

O traço de Natsume-sensei é lindo! Seus personagens se tornam ainda mais adoráveis com seu traço. Neste sentido, uma coisa que me chamou bastante atenção é que ela tem um padrão para o desenho dos personagens. O uke (passivo) é menor, tem olhos maiores, não é musculoso, parece mais inocente. Já o seme é mais alto, com uma compleição mais forte, normalmente cabelos escuros, olhos menores. As personalidades também se assemelham de história para história: o uke normalmente é gentil (mesmo que tente parecer o contrário antes, numa personagem tipicamente tsundere), enquanto o seme é mais despreocupado, bonachão, às vezes meio fechado.

Porém, apesar das semelhanças entre as histórias e personagens, não considero isto ruim. Na verdade, gostaria que houvessem ainda mais histórias da autora. Ela consegue diferenciar os personagens e trabalhá-los bem o suficiente para que cada um não seja uma repetição do outro e ainda seja possível simpatizar com eles. Além disso, existem personagens secundárias que complementam bem a história, inclusive mulheres, que Natsume-senpai consegue desenhar com maestria também.

Em Kiraboshi Dial, conhecemos o médico Toba Yousuke, que se muda para uma pequena vila nas montanhas japonesas chamada Alp. Ele se perde e encontra um homem estranho, Suga Kazuhiro, que, na verdade, tinha ido buscá-lo por estar demorando muito. Kazuhiro é a única pessoa no vilarejo que não é amigável com Yousuke, porém, ambos acabam tendo que dividir a casa de Kazuhiro após a clínica onde Yousuke irá trabalhar e morar desmorona. Este, aliás, é outro ponto comum nas histórias de Natsume-sensei – o futuro casal acaba tendo que dividir apartamento, casa, dormitório por algum motivo.

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Kiraboshi Dial possui uma boa dose de mistério e as personagens possuem passados que influenciam no presente. Mesmo sendo curto, com apenas 6 capítulos, foi uma leitura muito satisfatória, principalmente com a aproximação de Kazuhiro e Yousuke, sendo que o doutor entende os problemas do outro e procura ajudá-lo, conduzindo um romance bem adorável.

Tight Rope, fala sobre dois adolescentes, Ryuu e Naoki. Ambos andam juntos desde pequenos, e Ryuu é muito apegado a Naoki, seu primeiro amigo. Ryuu é filho de um líder de máfia e, por conta disso, as pessoas têm medo dele e procuram manter distância. Naoki, apesar disso, continua seu amigo. Agora, porém, Ryuu decide não se tornar o próximo líder da máfia porque tem medo de que Naoki se machuque. Ele, desde o início, deixa claro que deseja se casar e ser feliz com seu melhor amigo, apesar de este o rejeitá-lo diversas vezes.

Tight Rope ganhou dois episódios de OVA (original video anime) em 2013, sendo o único mangá de Natsume Isaku a ganhar animação. Eu li e assisti o OVA em seguida (são tão curtinhos, vale conferir) e o que mais me deixou surpresa foi que no OVA suprimiram as cenas de sexo. Mas, no geral, ele é bom. O apelo dos mangás de Natsume-senpai não está no envolvimento sexual, mas no desenvolvimento do romance, nas personagens entendendo uma a outra e percebendo como são importantes para o outro. Tudo muito fofo, sério!

Seu trabalho mais recente é Hanakoi Tsurane (2015), que já conta com dois volumes e está em andamento. Ainda não comecei a ler, mas estou com altas expectativas! O traço da capa tá lindo e a história promete, pretendo conferir muito em breve. Veja a sinopse: 

Do tipo auto-destrutivo, Sougorou é o herdeiro de uma das mais famosas famílias no mundo do Kabuki. Ele não tem interesse em outros atores de sua idade com a exceção de Gensuke, que reconhece como seu rival e não quer perder para ele, não importa o quê. Porém, o destino aplica uma peça neles e os dois se tornam colegas. Como sua relação irá se desenvolver?

O plot me pareceu bem interessante, então devo dizer que estou ansiosa. Apenas não comecei ainda porque estou tentando terminar algumas outras obras completas que deixei inacabadas. Mas logo vou abrir uma exceção para Hanakoi Tsunare. Além desta, a autora tem outra obra em andamento, atualmente com 4 volumes, Ameiro Paradox (2010). Entre suas outras obras, li No color (2005), Sugar Code (2008) e Free Punch (2009).

Por hoje é isso, pessoal. Vocês já leram algum trabalho da Natsume Isaku? O que acham das obras dela? Não se esqueçam de comentar e, se conhecem algum outro autor com histórias cativantes como as dela, por favor, me contem! Até logo! ❤