08/09/2017

Mars, de Fuyumi Soryo

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Olá pessoal!

Cansada da vida, resolvi por em dia algumas leituras. Nessas decidi ler um mangá que estava na minha lista fazia alguns anos já. Mars (1996-2000), de Fuyumi Soryo, é um shoujo clássico que merece ser relembrado sempre que possível. Eu já havia visto muitas menções à ele em diversos momentos, mas nunca tinha lido por preconceito.

É interessante como o próprio mangá falou sobre meu preconceito logo no início. Eu não tinha vontade de ler porque o protagonista parecia ser daqueles mulherengos, provavelmente parte de gangue, fumante e cheio de si. Tudo o que eu não gosto em um protagonista. Só abro exceção para o “cheio de si” – às vezes surgem alguns personagens assim que se provam amor depois de um tempo.

Mas, no caso de Mars, meu preconceito foi logo rebatido, quando a protagonista, Kira, que pensava do mesmo jeito que eu, percebe que Rei é muito mais do que a aparência dele diz. Ambos são colegas de escola, com seus 16 ou 17 anos. Ele, tudo aquilo que eu já disse, ela, tímida, estudiosa, excelente desenhista. Agora, fica difícil de explicar porquê Mars é diferente de tantos outros mangás com personagens que se encaixem nestas exatas descrições.

Acredito que este é um dos pontos que me fizeram gostar muito do mangá. Ao longo dos 15 volumes vemos muito crescimento por parte dos protagonistas. Eles estão em constante evolução, assim como o seu relacionamento. Rei inicia como um jovem muito bonito que não leva nada a sério, a não ser corridas com motos. Ele não se importa muito com ninguém nem nada. Até que Kira aparece em sua vida.

Mars teria tudo para ser um shoujo clichê, mas não é. Tudo acontece de forma diferente, prendendo a atenção e fazendo crescer uma expectativa sobre o que irá acontecer depois. O primeiro beijo de Kira não demora a acontecer e não existe toda aquela história romantizada em torno dele, fazendo com que ele tenha sido muito mais natural e perto da realidade. O romance também vai avançando de forma gradual e natural. Não existem acontecimentos que o façam surgir da noite para o dia. Rei e Kira vão se tornando amigos mais próximos e percebendo a importância que um tem na vida do outro com o tempo.

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Agora, é claro que existem diversos problemas no relacionamento deles. E o foco de Mars é muito mais psicológico. Ambos possuem profundas feridas que não se curaram ainda e acabam encontrando conforto no outro. Estas feridas do passado possuem grande importância no desenvolvimento da história e a tornam rica, fazendo de Mars uma história sobre crescimento pessoal e a importância de compartilhar suas dores para suavizá-las.

Há muito mesmo a ser dito sobre Mars. Mas qualquer coisa a mais será spoiler. Eu não sabia quase nada sobre a série quando comecei a ler e isso com certeza tornou a experiência melhor. Então, vou deixar a sinopse do Manga Updates:

Kira acredita que Rei e todos os outros homens do mundo estão sujos. Ela fica longe de seus colegas de classe, escondendo-se em sua arte. O que acontece quando o motociclista e o playboy delinquentes, Rei, consegue um dos seus desenhos e, na verdade, quer mantê-lo?

Esta sinopse é muito rasa, com certeza, mas representa bem o início do mangá. Não dá nem para imaginar que Mars será um dos romances mais realistas e bonitos que já vi num mangá. Além disso, outras personagens incrementam a história, que vai desde psicopatas e pessoas com sérios problemas mentais até corredores de sucesso que perderam sua vida pelo amor à velocidade. Sem falar no traço muito bonito da Fuyumi Soryo, que sabe desenhar os melhores abraços que eu já vi em mangá. Realmente recomendo a leitura, até mesmo para quem não é fã do gênero. Fazia tempo que não lia um shoujo tão bom e com certeza estou órfã agora.

O mangá ganhou um gaiden, chamado Mars Gaiden, composto por um volume único de oneshots. Não li ainda, mas em breve irei conferir. Além disso, ele também ganhou três adaptações live action: a primeira, Zhànshén MARS, é tailandesa e foi lançada entre 2004 e 2005, contendo 21 episódios; já a segunda é japonesa, Mars: Tada Kimi wo Aishiteru, lançada em 2016 com 10 episódios; por fim, ainda em 2016, Mars ganhou um filme japonês, também chamado Mars: Tada, Kimi wo Aishiteru. Das três, vi muitos comentários bons sobre a versão tailandesa, que pretendo conferir quando tiver um tempo.

Comentem o que acharam de Mars! E quem não leu ainda, se manifeste se resolver a ler por causa desta pseudo-resenha. Sei que ela ficou um pouco confusa, mas qualquer revelação de enredo estraga a experiência, eu juro! Até mais! :-)