16/06/2016

Drug-On

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Minha relação com Drug-On é antiga. Quem lembra dos tempos de scanlator do Pururin talvez lembre também que Drug-On esteve presente entre nossos projetos desde o início, lá em 2010. Eu conheci ele procurando por mangás que não tivessem tradução para o português ainda, achei o traço bonito e o enredo interessante, então logo começamos a lançar ele. O problema veio quando percebemos que ele ainda estava sendo traduzido para o inglês. O scanlator que fazia o trabalho acabou se desfazendo em determinado momento e o projeto parou no início do volume 3.

Mas aí, lá em 2010 ainda, a editora NewPop entrou em contato comigo para pedir que retirássemos o mangá do site porque eles já haviam licenciado e iriam lançar as traduções em algum momento. O mangá tinha os direitos comprados desde 2009 pela editora, mas apenas em 2015 tive a oportunidade de por minhas mãos no primeiro volume. Devo dizer que a edição ficou muito bonita, mas o que eu quero fazer aqui é uma recomendação do mangá em si.

Lançado a partir de 2006 na revista Comic Birz, Drug-On, de Saitou Misaki, é um seinen completo com 5 volumes. A história mistura elementos sobrenaturais com mistério, horror e suspense em uma obra com traço de tirar o fôlego. Vou admitir e dizer que o meu fraco por histórias de horror foi o que me levou até o mangá, mas o que me fez querer mais e mais dele foram os desenhos lindíssimos.

O plot, por sua vez, é bem interessante. Um grupo de pessoas, chamadas de “takers”, juntamente com seus “valets”, possuem como missão proteger a ilha “Dragon’s Beak”, que dizem ser o lugar onde reside o “poder de Deus”. Qualquer um que obtenha este poder terá seu desejo realizado. Ou talvez não seja tão simples assim.

Nós começamos a história sendo apresentados aos takers Kai e Jack, e suas respectivas valets, Alice e Dorothy. Eles acabam envolvidos com três crianças que entram na ilha por curiosidade e acabam encontrando a fonte do poder. Aí já podemos ver que os takers e valets não são meras pessoas normais. Eles possuem poderes e os usam para proteger a fonte não apenas dos visitantes em busca de seu poder, mas também daqueles que, de alguma forma, obtiveram sucesso em chegar à fonte.

O que as pessoas que conhecem as lendas em torno da ilha não sabem é que a fonte – que literalmente é uma fonte, com água e tudo – não realiza desejos exatamente do jeito que as pessoas querem. Às vezes a pessoa recebe poderes, às vezes se torna um monstro. E é dever dos takers eliminar qualquer um que chegue perto da fonte para evitar que ambas as situações aconteçam.

Apresentados os personagens, vamos segui-los em algumas situações onde visitantes aparecerão e também veremos sua relação com o exército, que tem conhecimento da fonte e está envolvido com o gerenciamento dos takers. Além disso, os takers também têm seus dramas pessoas. Alice é a valet que nos mostrará um pouco dos mistérios sobre o que são takers e valets. Kai é um pessoa um pouco perturbada e agride Alice por ela não ser a valet perfeita que ele queria ter criado. Assim, Alice descobre que ela não é a primeira valet de Kai e que todas elas foram criadas a partir de Kai, mas ele não estava satisfeito com o resultado.

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Um pouco da arte para apreciação!

A história cobre uma série de casos de pessoas que já estiveram na fonte e estão retornando para tentar renovar seus poderes, que enfraquecem com o tempo. Também envolve pessoas curiosas e o passado dos takers, em especial, de Jack. Mas é aí que o mangá começa a decepcionar um pouco. Muitos dos mistérios não são resolvidos em momento algum. Os personagens principais, que são Kai, Alice, Jack e Dorothy, além de mais uma taker, Jill, e seu valet menino, Peter, são todos personagens muito interessantes e parecem ser antigos, mas são muito pouco aproveitados. Finalizei o mangá com um sentimento de que a parte principal da história nunca chegou, onde um grande vilão deveria ter aparecido e explorado o máximo dos nossos personagens principais.

Não dá pra negar que é uma obra linda, mas é daquelas que não ficaram muito conhecidas, então acredito que a autora não teve a oportunidade para estender sua história do jeito que gostaria. Esse é um mal de mangás curtos. É claro que existem exceções, em histórias planejadas com um início, meio e fim bem definidos, mas eu não senti isso em Drug-On. O primeiro arco, com as crianças curiosas entrando na ilha, teve cara de one-shot.

Mesmo assim, recomendo a obra. Por quê? Porquê é uma leitura rápida e uma obra lindíssima. Se você quer ler algo bem sem compromisso, este é um bom mangá para isto. Além disso, comprando este mangá, você estará ajudando a editora NewPop a crescer e trazer mais obras desconhecidas para cá, porque isso é algo muito bom! Existem centenas de mangás excelentes que não têm tradução nem para o inglês por aí, isso eu garanto.

Se você quiser adquirir a obra, ela está disponível em grandes lojas online como a Comix e a Nerdz (antiga Jambô), e cada edição custa R$14,00, em papel off-set, capa cartonada e uma página colorida por volume, com as ilustrações maravilhosas da autora.