13/11/2015

Trigun – Pólvora, areia e emoção

0
trigun

Um homem com um sobretudo vermelho entra no saloon. Após a costumeira pausa da música, até que seja feito o pedido da bebida desejada, as pessoas começam a perceber que aquele não é qualquer um. Isso porque já viram sua face do lado de fora da delegacia algumas dezenas de vezes. A sua cabeça vale 60 bilhões de “Double Dollars” ($$). Mas todos sabem da sua fama, e por isso o clima começa a ficar tenso, sem que ninguém faça nenhum tipo de movimento. Após alguns instantes algum engraçadinho coloca sua arma na cabeça do indíviduo, ambicionando a recompensa. O homem misterioso se entrega e diz que irá até a delegacia sem causar problemas. Nesse momento o som de dezenas de armas se faz ouvir. Se é tão fácil assim, todos querem lucrar. O único que ainda está desarmado é o próprio alvo de toda a trama. Um olhar para o lugar errado é o suficiente para desencadear uma reação de balas ricocheteando por todos pilares que sustentam o saloon, iniciando uma chuva de bebidas que parece partir das nuvens de pólvora que sobem ao ar. Quando a calmaria chega, entre escombros do que um dia foi um lugar animado, todos se olham abismados. Ninguém está ferido. Um homem com um sobretudo vermelho já passou pela saída da cidade, e ruma em direção a qualquer lugar. Sem nenhum arranhão. Ele será culpado da destruição de mais um estabeleciomento, sem ter aberto nem um dos botões do seu casaco.

Esse homem de vermelho é Vash, The Stampede (O estouro da boiada, no Brasil). Responsabilizado pela destruição de cidades, ele é um criminoso procurado e temido. Porém, sempre que alguém se encontra com ele, descobre uma pessoa totalmente atrapalhada e apaixonada pela vida. Com um sorriso no rosto e sem jeito nenhum para qualquer tipo de combate, é impossível que esse seja o homem desenhado no cartaz. Mas, de uma maneira ainda mais misteriosa, a destruição continua o seguindo. Ele traz consigo o peso de um passado e futuro obscuros, banhados em dor e esperança.

Com um cenário Steampunk Velho Oeste, Trigun possui uma trama extremamente bem pensada, com grandes doses de humor e seriedade. Não é difícil acabar se identificando com um dos personagens, que são bem trabalhados e possuem propósitos definidos dentro da história. Nesse misto de características, em 1995 o autor Yasuhiro Nightow decidiu representar as personalidades da vida, trabalhando conceitos filosóficos e profundos em apenas 3 volumes (que foram representados em 26 episódios como anime). Sendo uma história que consegue transferir seu humor e sua tensão desde o primeiro até o último momento, esta é mais uma daquelas séries que você precisa assistir/ler.

Pessoalmente, recomendo o anime mais do que o mangá (apesar de gostar dos dois). Mesmo que as diferenças na história sejam poucas e não tão significativas, a trilha sonora é original e muito bem desenvolvida, sendo daquelas que farão parte da sua lista musical. Os traços (em ambos casos) não são os melhores que já vi, mas certamente muito bons, conseguindo representar o estilo e clima do enredo. Vou além o anime de Trigun briga para ser o melhor que já vi (em aspecto geral). Sim, tenho uma paixão por esse título (deu pra perceber né? haha).

E você? Também sente esse frio na barriga quando lembra da história? Ou nem chegou a gostar? Qual sua opinião?