14/10/2015

O que é Haiku, a poesia japonesa

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Haiku mais famoso de toda história

Olá. Sejam bem-vindos ao meu primeiro post aqui no Pururin. Como defensor da poesia, nada mais justo que, neste primeiro contato, eu vos traga a vertente japonesa desta.  Veremos o que é Haiku, em conteúdo e estrutura, assim como algumas variações dessa forma poética.

Haiku (俳句; はい – く; hai – ku), é definido de forma direta, pela Haiku Society Of America [1], como “[…] um poema curto que usa linguagem imagética para transmitir a essência de uma experiência da natureza ou estação intuitivamente ligada à condição humana”. Ou seja, por via de regra, o Haiku é um poema que deve transmitir uma ideia de natureza, normalmente associada a uma estação do ano. Essa ideia deve representar algo do próprio ser ou da humanidade. Por isso costumam ser poesias leves e profundas. Vejamos um exemplo (com o mesmo poema encontrado na imagem deste post):

Furu ike ya

Haiku mais famoso de 松尾 芭蕉 (Matsuo Bashou)

Matsuo Bashou é tido como o pai do Haiku, pois foi quem difundiu esta forma de cultura no Japão, na era Edo [2]. Ele também ajudou a definir as regras pelas quais o Haiku deveria ser escrito. Mais do que uma definição de conteúdo, essas regras também definem estrutura: No japonês, a primeira e a terceira linha devem ter cinco sons (pode-se entender como sílabas, mas existe uma certa diferença) e a segunda linha sete sons. Um total de 17 sons por poema. Nas regras clássicas, todo Haiku deve ter uma palavra que indique estação, chamada de Kigo, e uma palavra de ênfase que singularize uma parte do poema, chamada de Kireji. Deve-se evitar o uso de metáforas.

Tudo começa com o Renga, um estilo de poema anterior ao Haiku, mais parecido com a poesia do ocidente (com uma estrutura de estrofes). No renga, chama-se a primeira estrofe de Hokku. O Haiku é a derivação de utilizar o Hokku como um poema completo em sí, por isso sua estrutura é tão pequena.

Mas, ao ser trazido para outros idiomas, e através do tempo, o Haiku perdeu sua rigidez. Hoje em dia o uso do Kigo não é mais obrigatório. Assim como ao produzir Haiku em inglês, português ou outros idiomas, torna-se necessário remover a exigência de 17 sons. Por isso, nasceram vertentes do Haiku com diferentes estilos e propósitos. Referente a isso, os termos mais utilizados são:

 

  • Senryu: Similar ao Haiku em estrutura, mas seu tópico é referente as fraquezas da natureza humana, podendo ser escrito de forma satírica e bem humorada.
  • Haikai: Haikai no renga, termo utilizado para se referir ao estilo oposto ao renga (poesia que deu origem ao Haiku). Essa palavra é usada para se referir a todo universo de variações (Haiku, Renku, Senryu, Haibun, etc…);
  • Renku: O principal estilo poético utilizado por Matsuo Bashou. Hoje em dia é similar ao renga. Uma forma de “poesia ligada” do Haiku, onde normalmente cada parte é escrita por uma pessoa diferente. Uma estrutura comum é representada por um Haiku, duas linhas de ligamento, outro Haiku e duas linhas de fechamento.
  • Haibun: Uma forma literária mais abrangente, normalmente combinando prosa e Haiku.

 

No Brasil o Haikai veio através de autores como Afrânio Peixoto, Guilherme de Almeida e até mesmo Oswald de Andrade. Apesar de existirem mais autores que valem a pena ler, já me estendi demais para causar uma primeira boa impressão ao leitor. Por isso, deixo aberto o espaço, nos comentários, para sugestões e discussão do assunto. Você gosta de Haiku? Gostaria de recomendar algum? Pessoalmente, deixo aqui o Haiku que mais admiro:

 

寒い日に
プルリンを読む
真暑い

 

Hehe, ok, não deu. Espero que pelo menos tenha ficado correto o suficiente pra entender (se alguém quiser corrigir, à vontade). Era pra ser:

 

Em um dia frio

Leia o Pururin:

Calor verdadeiro.

 

Espero ter agradado. Até a próxima.

 

Fontes:

[1] Haiku Society of America

[2] On a Bare Branch: Bashō and the Haikai Profession

[Imagem do post] Fotografia de Philip Davison

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