26/10/2015

Himo Zairu, de Akiko Higashimura, entra em hiato devido à críticas online

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No dia 21 de outubro, o departamento editorial da revista Morning da Kodansha anunciou que o mangá Himo Zairu (ヒモザイル) de Akiko Higashimura, autora de Kuragehime, não iria aparecer na edição de dezembro da Morning Two, que saiu dia 22 de outubro, mesmo que anteriormente já houvesse sido anunciado que haveria um capítulo do mangá nesta edição. A equipe pediu desculpas para quem estava esperando pelo capítulo.

A editora Kodansha também publicou um comunicado da autora. Higashimura disse que, desde o início da publicação do mangá, tem recebido diversas opiniões de leitores online. Ela pediu desculpas para quem sentiu desagrado pela história e para aqueles que estão esperando por mais capítulos. Ela acrescentou que baseou o mangá em “fatos reais”, mas como muitos não gostaram da temática, ela decidiu que não poderá continuar publicando o mangá no momento. Ela ainda disse que vai pensar no que fazer no futuro, com a série em hiato até lá.

O departamento editorial da Kodansha acrescentou que decidiu remover o capítulo da edição de dezembro da revista em respeito ao desejo de Higashimura. Também informou que assim que for decidido o futuro do mangá, isto será divulgado na revista e no site oficial dela.

O mangá estreou na edição de outubro deste ano da Morning Two, que foi lançada em 22 de agosto. A revista divulgou o mangá com o seguinte texto:

“Sem dinheiro, não é popular, sem emprego. Porquê, na melhor das hipóteses, eu sou inútil, eu vou me tornar um himo! A cortina sobe para o dojo de treinamento de homens himo de Akiko Higashimura! “

Um himo é um homem que não trabalha e é financeiramente dependente de uma mulher com quem está saindo. Ela criou a história usando seu assistente homem e outros homens à sua volta como modelo. Algumas acusações dos leitores dizem que ela está rebaixando seu assistente e outros homens.

Higashimura é conhecida por suas comédias que mascaram críticas à grupos e estilos de vida presentes na sociedade japonesa. Em Kuragehime, ela critica tanto políticos e empresários, quanto otakus, pessoas que possuem um fanatismo em determinado assunto como, por exemplo, a personagem principal, que é obcecada por águas-vivas, mas tudo com muito humor e, em vários momentos, lições de vida.

Por mais que suas outras obras tenham passado batido ou mesmo feito um bom sucesso como no caso de Kuragehime, desta vez a autora está mexendo com a sociedade masculina japonesa em especial. O Japão, ao contrário de outras potências, ainda é uma sociedade muito conservadora, onde o patriarcado ainda reina, então uma história como a deste mangá ofende as pessoas que preferem ignorar a existência destes homens que dependem de mulheres ou que consideram sua existência uma vergonha.

O homem no modelo tradicional japonês deve ser o pai de família e provedor de dinheiro e bem-estar, mesmo que, para isso, precise passar muito mais tempo trabalhando do que com seus entes queridos. Mulheres no mercado de trabalho, por sua vez, não possuem uma vida fácil, elas também sofrem com o preconceito de terem abrido mão do papel de dona de casa, ou por ter dupla jornada, depois 10 horas de trabalho em escritório, ainda precisando fazer todo o trabalho de casa e cuidar dos filhos.

O hiato deste mangá mostra que as coisas ainda estão longe de serem as ideais no Japão. A igualdade de gêneros aumentou ao longo dos anos, mas ainda é muito difícil para muitos aceitarem que uma mulher possa ser mais bem sucedida do que um homem, ou que um homem talvez prefira não ter uma carreira nos moldes tradicionais. Reflexos disto são os altos índices de suicídio entre jovens, que muitas vezes não aguentam a pressão imposta pela sociedade, que exige que eles sejam os melhores e alcancem altas posições na boa empresa em que passarão seus dias trancados até a aposentadoria. E também, no suicídio de homens que perdem seus empregos e se vêem cair em desgraça.

Enfim, considero triste que a mangaká tenha sofrido com a pressão das críticas, mas acredito que a sociedade japonesa está se tornando mais flexível, mesmo que seja de pouco em pouco. Outras obras interessantes para quem tem interesse de saber mais sobre preconceitos do ponto de vista da sociedade japonesa quanto à diferentes estilos de vida são Cat Street, Usagi Drop e Hourou Musuko.

Vi no Anime News Network.

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